Acabou-se a primeira edição do Lollapalooza em solo brasileiro, hora de analisar o que deu certo, o que deve ser mudado em termos de estrutura e organização, além de, obviamente, opinar sobre quais bandas brilharam e as que deixaram a desejar.
>>>> Melhores shows:
Foo Fighters: A banda de Dave Grohl mostrou que está no auge, animando uma multidão nas duas horas e meia de show, com hits de todas as fases da carreira do grupo. No entanto, por ser um set longo, a banda alongou a maioria das músicas e abusou dos solos desnecessários e firulas que poderiam ser descartadas. Em geral foi um excelente show, mas que poderia ser melhor, caso fosse reduzido a duas horas.

Skrillex: Mesmo tocando no mesmo horário dos novos queridinhos do Foster The People, o DJ arrastou uma multidão para a tenda eletrônica, com pessoas tendo que assistir o show do lado de fora. Skrillex pulou, subiu na mesa, gritou e regeu um público que foi à loucura com o seu dubstep cheio de influências pops e que promete entrar no gosto dos jovens brasileiros, assim como já acontece nos EUA.

Thievery Corporation: Banda afiada, cheia de groove e cantores com ótima presença de palco, o Thievery foi a atração perfeita para quem queria curtir um show leve de tarde, bebendo uma cerveja com os amigos. Mereciam um set maior e talvez um horário mais nobre, já que às três horas muita gente ainda não tinha chegado no Jockey.

Gogol Bordello: À primeira vista a banda parece um bando de loucos fazendo um punk rock duvidoso com influências ciganas em cima de um palco. E é isso mesmo.
Um ucraniano, dois russos, um israelense, um etíope, um caribenho, um chinês e um equatoriano fazendo um punk rock com influências ciganas, berrando coisas sem sentido e levantando uma multidão que acordou cedo para vê-los às duas horas da tarde! Genial!

Cage The Elephant: Apesar do som baixo, o grupo americano mostrou a que veio com um show bagunçado e cheio de energia, típico das bandas grunge do anos noventa, principais influências da banda. O vocalista Matt Schultz ganhou o público brasileiro com um ”stage dive” ainda nas primeiras músicas, voltando para as mãos da galera no encerramento, criando uma das melhores cenas do festival, ao fazer um ”crowd surfing” com a bandeira do Brasil nas mãos.

>>>> Decepcionaram:
Peaches: Quem esperava ver a cantora acompanhada da sua ótima banda, surpreendeu-se ao ter que assistir um DJ set tosco, cheio de bizarrices, em que o máximo que Peaches fazia era dar uns grunhidos e cantar algumas partes de músicas. Ridículo.

Arctic Monkeys: A banda está mais segura, Alex Turner está com a voz impecável e o grupo mostrou estar em sintonia, tocando bem todas as músicas, em um repertório cheio de hits indies.
Já os havia assistido no meio do ano passado no Festival Internacional de Benicássim e achei o show excelente, cheio de energia. Porém, o que vi no Lollapalooza foi uma apresentação protocolar, sem a emoção que se espera de um headliner.
Diferentemente de Dave Grohl, Alex Turner mal se mexe ou fala com o público, não parece à vontade no palco, soltando apenas algumas frases para os fãs, em um show pequeno, de somente uma hora e vinte minutos de duração. Para os mais fanáticos, foi um show ótimo. Só para eles.

MGMT: Não sei se chega a surpreender o fato de o show ter sido decepcionante, já que eu nunca vi uma crítica positiva em relação à eles tocando ao vivo. A mistura da chuva com a performance sonolenta afastou grande parte do público, que abrigou-se na tenda eletro ao som do Tinie Tempah. Durante alguns clássicos como ”Kids” e ”Time to Pretend”, o público se animou, porém, o sono voltou no resto do show.

O Rappa: A banda perdeu uma ótima oportunidade de testar as músicas novas que devem estar em seu próximo CD, o qual será gravado ainda esse ano. O show foi divertido porém, repetitivo para quem viu a banda na turnê do final do ano passado.
Além disso, Falcão colocou para tocar ”Killing in the name” do Rage Against The Machine no som e ficou assistindo o público, sem nem ao menos cantar, desperdiçando uma música do repertório com uma espécie de lamba aeróbica rock’n’roll. Desnecessário.
>>>> O que funcionou:
- Jockey Clube: Provou ser um ótimo lugar para grandes eventos, com um grande espaço disponível e várias opções de acesso e, inclusive, uma estação de metrô pertíssimo do local. Além disso, à noite, os prédios em volta do Jockey davam um brilho a mais ao ambiente, se assemelhando, nesse quesito, ao Grant Park em Chicago, onde o Lollapalooza original é realizado.
- Pontualidade: No geral, os shows começaram na hora, o que é essencial em um festival com vários palcos e apresentações simultâneas. O atraso do Racionais já foi justificado como um pedido da produção do evento, para que houvesse tempo de o show do Jane’s Addiction terminar antes de Mano Brown tomar o palco da tenda Perry.
- Tenda eletrônica: Diferentemente do Rockinrio, no qual a tenda destinada à música eletrônica ficou ‘’as moscas’’, no Lollapalooza o espaço chamado ”Perry’s” foi uma ótima atração, com um grande movimento de público, estando cheio na maior parte do tempo e até lotado durante os sets principais.
- Público: Galera animada, sabia cantar a maioria das músicas, dava pra ver que são pessoas que curtem festivais e o estilo das bandas que tocaram. Nenhum tipo de confusão lá dentro.
>>>> O que deve ser revisto:
- Metrô: Ao invés de extender bastante o seu horário de funcionamento, para ajudar a escoar as milhares de pessoas do evento, o metrô fechou as portas um pouco depois do término dos shows, deixando o público a mercê de táxis caros e poucos ônibus. O Rockinrio mostrou-se muito mais eficiente em termos de transporte público.
- Filas: No primeiro dia de festival, as filas estavam grandes demais e quem não comprou fichas cedo teve problemas para conseguí-las. Além disso, o número de banheiros revelou-se pequeno, sendo o público feminino o mais prejudicado. No segundo dia, no qual as entradas não se esgotaram, a situação melhorou um pouco, evidenciando que, nas próximas edições, o número de ingressos postos a venda poderia ser um pouco menor.
- Alimentação: Pouquíssimas opções de alimentos e refeições. Ter que se alimentar com um hot dog frio (e caro), em um festival que dura o dia inteiro é patético.
- Preços: Após os ingressos caríssimos, o público ainda teve que arcar com preços abusivos em alimentos e bebidas.
- Abrigo: Com um sol forte, só existiam duas áreas cobertas: a tenda eletrônica e a área com puffs patrocinada por uma marca de roupas, a qual se encontrava lotada na maior parte do dia.
- Cenografia e atividades: Os palcos eram, basicamente, estruturas metálicas que não tinham nenhum tipo de cobertura, ficando à mostra as toneladas de ferro utilizadas em sua construção. Além disso, não existia nenhum tipo de atração off-shows, com apenas algumas ações isoladas de patrocinadores, como lugares para tirar fotos e etc.
Compare com o Lollapalooza original: http://www.lollapalooza.com/experience/activities/
>>>> O que alguns artistas acharam dos shows:







O Lollapalooza Chicago divulgou o line up desse ano, com Red Hot, Black Keys, Black Sabbath e Jack White como headliners e show do Rappa confirmado. Dêem uma olhada na lista de shows, pois cerca de 80% das atrações internacionais do Lolla Brasil 2013 devem vir de lá.
Line up: http://lineup.lollapalooza.com/
É isso. A primeira edição do Lollapalooza Brasil obteve mais acertos do que erros e tem tudo para virar o principal festival do país. A próxima edição já foi confirmada por Leo Ganem, CEO da GEO Eventos, empresa que organiza o festival. Até 2013!
(Fotos que ilustram o post foram retiradas da internet)